Você já ouviu falar no Acre? Ele é um filho bastardo da "Pátria Amada" e que sempre foi alvo de preconceito por parte da população das grandes cidades, principalmente do Sudeste brasileiro, mas que pouco a pouco vem conseguindo ocupar seu espaço de direito. Para aqueles que vivem nos grandes centros, há apenas índios morando neste território e os únicos "brancos" que se arriscam a viver nesta terra, só o fazem para ter uma vida exótica, domesticando uma porção de aborígenes e animais selvagens. Pobres pessoas! Não sabem nem a metade do que aconteceu para que o Acre pudesse ser anexado a uma nação que nem interessada nele estava. Se o Acre faz parte do Brasil hoje é graças ao empenho e às lutas lideradas por heróis como Luiz Galvez (que não era brasileiro) e Chico Mendes (que somente agora terão reconhecimento nacional com a exibição da mais nova minissérie da Rede Globo de Televisão: "Amazônia: de Galvez a Chico Mendes" e somente porque a escritora é acreana de "pé rachado").
Fazendo uma rápida retrospectiva na história, pode-se dizer que, até o início do século XX, o Acre pertencia à Bolívia. Porém, desde o princípio do século XIX, grande parte de sua população era de brasileiros, em sua maioria cearenses, os quais exploravam seringais e que, na prática, acabaram criando um território independente. Em 1899, os bolivianos tentaram assegurar o controle da área, mas os brasileiros se revoltaram e houve confrontos fronteiriços, gerando o episódio que ficou conhecido como a "Questão do Acre", tendo como ícones Luiz Galvez, Plácido de Castro e outros. Em 17 de novembro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, o Brasil recebeu a posse definitiva da região. O Acre foi então integrado ao Brasil como território, dividido em três departamentos. O território passou para o domínio brasileiro em troca do pagamento de dois milhões de libras esterlinas, de terras de Mato Grosso e do acordo de construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré.
Todos sabem o quanto o Brasil lucrou, anos depois, com a exploração de borracha, por exemplo, no território acreano sem nem ao menos se importar com a existência dele. Até o período da primeira guerra mundial, o Acre ocupava a primeira posição na extração de látex e, que só a perdeu, porque traficantes ingleses, por repetidas vezes, levaram milhares de mudas de seringueira para uma de suas "colônias tropicais", Malásia, onde eram plantadas com todo o planejamento. Só para se ter uma idéia, os seringueiros brasileiros percorriam horas a fio para conseguir extrair apenas 5 litros da resina retirada da seringueira, enquanto os malasianos conseguiam a mesma proporção em alguns minutos, já que as árvores eram umas próximas às outras e a colheita era feita automotivamente. Logo a Malásia liderava, com larga vantagem, o mercado de látex mundial. E o que o Brasil fez, vendo toda esta situação acontecer?
Mas já voltando aos tempos atuais, não há quem diga que o Acre não seja "a terra das oportunidades". Aqueles que vieram para o Acre em busca de uma vida melhor e cheios de idéias novas para executar nele deram muito certo e não trocam mais o estado por nada. Adotaram como sua casa, onde criam seus filhos e netos. Sentir-se parte de um estado não por ter nascido nele, mas por ter se sentido acolhido como um verdadeiro filho é o que há de mais bonito.
O Acre e suas cidades, de alguns anos para cá, tem vivido franca ascenção, em todos os aspectos. Rio Branco, capital do Acre, por exemplo, está cada vez maior e mais bonita. Cheia de monumentos e cartões postais que, além de embelezar, contam a sua história. E o mais interessante é que, por maior que tenha sido o crescimento desta região, o estilo de vida interiorano ainda persiste em seus habitantes. E impressionante é como todos se conhecem! Já até cogitei a idéia de um dia, ao ser assaltado, o ladrão me perguntar se sou filho da minha mãe, neto da minha avó ou sobrinho da minha tia e, por esse motivo, além de não comenter o delito, dar-me um dinheiro para fazer um lanche! rsrsrsrs
E quanto ao falar acreano? "Maninha, tu é mesmo uma égua", "Bichinho, rumbora soltar pepêta?", "Vâmo alí comer uma baixaria no Mercado do Bosque, vâmo?", "Viiixe... tua goiaba tá com tapuru! Come assim mesmo!"... tem coisa mais melhor do que ouvir isso?
Ahhh... e Mc Donalds®? Bob's®? Que nada! Eu quero mesmo é comer no BACTÉRIAS e sentir a leve brisa de verão que provém do meu amado Rio Acre e ver a luta dos balseiros que se formam em suas águas. E que se danem os cariocas, paulistas, mineiros e o escambal a quatro que odeiam e falam mal do meu Acre. Não sabem o que estão perdendo, bobocas!
rs
E é por essas e outras coisas que eu não troco este lugar por nada neste mundo! ^^

3 comentários - Não seja tímido... falaê!:
caceta...
se existe forma melhor de expressar o sentimento acreano, tanto pra com a terra quanto para com os exteriores, desgraçados, por favor me digam, pq Mr. Igor tocou a ferida com brasa...
quando viajei pra Fortaleza, à carro, passando pelos estados intermediários, aprendi a descobrir o caráter das pessoas com apenas uma pergunta...
pedia as pessoas para olhar pra placa do carro por acaso e perguntava: "Putz grila, de onde vem esses índios?"
recebi todo o tipo de resposta, como "Lá do cú do mundo eu acho", ou "rapaz, do matagal pra lá de num sei da onde..."
mas foi um senhor de Fortaleza chamada Zacarias que mais me chamou a atenção...
ao ser questionado pela minha pergun ta escrota, ele apenas respondeu: "meu filho, eles vem de um lugar muito melhor do que aqui, lá pelo menos ainda existe amor entre as pessoas, até os ladrões se respeitam...."
fiquei estático com a resposta, mas daquele momento em diante aquele homem de seus quase 80 anos ganhou meu respeito e admiração...
Acre, falem mal dela se quiserem, minha terra querida, só não me deixem ouvir.....
ah sim Mr. Igor, vlw pelo post e pela força....
obrigado...
Ah Igor, eu li seus comments, amigo eu espero que você esteja bem....
Bola pra frente, a fila anda meu amigo...
Eu te amo!
Adorei seu post, tão tão xique, podia estar em um jornal...
Bjinhos
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